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sexta-feira, 5 de maio de 2023

4. Valorizar e estimular progressos na criança

 

(Foto tirada de Guiainfantil.com)


Vamos agora para o quarto pilar de uma educação para a paz. Vamos falar de valorizar e estimular progressos nas atitudes e no comportamento verbal e não verbal da criança.

Falo de "progressos" e não de resultados porque estes nem sempre são os que esperaríamos, nem muitas vezes são imediatos. Os progressos, sim, esses vão-se desenvolvendo ao longo do tempo e, portanto, dão muito mais oportunidades de elogiar a criança e de a encorajar no caminho certo.

Como podemos fazer isto?

  • Primeiro, termos em atenção que há muito mais coisas positivas do que negativas para valorizar na criança (aliás, em todos nós). Por isso, não procuremos o pormenor irrelevante para humilhar; procuremos antes o que é verdadeiramente importante para elogiar.
  • Proporcionemos experiências de sucesso de diferentes tipos, com desafios adaptados à idade da criança (veja-se foto acima).
  • Mostremos compreensão e tolerância com as suas falhas (pois todos as temos, não são só as crianças; e também não gostamos que as utilizem para nos humilhar).
  • Celebremos as vitórias da criança com alegria e orgulho. Às vezes podemos até fazê-lo com uma recompensa extra (não tem de ser material, pode ser concedendo um privilégio).
  • Elogiemos principalmente os esforços que desenvolveu, embora também possamos fazê-lo com os resultados que obteve (o problema com estes é que dependem de outras coisas que a criança não controla, enquanto os esforços estão mais sob o seu controlo pessoal). 
  • Reconheçamos e apreciemos todas as melhorias que observarmos na criança.
  • Valorizemos e encorajemos a persistência que ela revela para alcançar os seus objetivos e para ultrapassar as dificuldades que encontra.

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A ausência de elogios tem várias consequências pouco positivas.

  • Receber um elogio da parte daqueles cuja aprovação mais se deseja (é o caso da criança em relação a nós), é o melhor sinal que ela pode receber de que o que fez foi bem sucedido (mesmo que não haja resultados visíveis).
  • Quando não reagimos ao que a criança faz de bem, ela sente que foi mal sucedida ou que não devia ter feito o que fez.
  • Assim, ela não o repete.
  • Se não o repete, não o aprende.
  • Se o insucesso se repete, ela aprende o insucesso (ela aprende o que se repete - seja qual a forma que ele tome, desde a violência até ao azedume e à distração).

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Tenhamos em atenção que um comportamento menos bom ou de resistência relacionado com o desempenho escolar por parte da criança pode sinalizar 

  • problemas relacionais na escola;
  • dificuldades de atenção ou de aprendizagem;
  • ou, às vezes, simplesmente um problema de audição ou de visão, por exemplo. 

É preciso despistar estas possibilidades, antes de pensarmos em criticá-la e condená-la (e muito menos de castigá-la!).

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Antes de terminar o tema de como educar para a paz, gostaria de esclarecer que, evidentemente, a disciplina sem violência poderá ser imperfeita (há poucas coisas perfeitas no nosso mundo) – só que também é verdade que, com violência, é pior.

Com as crianças, hoje em dia,  temos de escolher ou fazer coisas possivelmente ineficazes, ou fazer coisas decididamente criminosas. Bater numa criança é legalmente um crime, mas há outras coisas que, embora não haja lei que as proíba, são também crimes. Devemos evitar fazê-las. Falámos delas ao longo destes meses, mas, genericamente, podemos incluir tudo o que lhe cause um sofrimento físico ou mental que está na nossa mão impedir, sem que daí advenha um prejuízo para ela.

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Mas têm os Educadores e os Cuidadores de ser perfeitos? Não. Nem o devem ser.

Por exemplo, os pais não devem responder sem falhar a todas as necessidades da criança, senão ela também não cresce (não aprende a lidar com dificuldades, a ultrapassá-las, etc.). A única necessidade cuja satisfação não deve ser nunca negada é a do AMOR.

Por isso, uma mãe ou um pai só precisam de ser suficientemente bons. A imperfeição é humana. As crianças preferem-na.

Até porque pais perfeitos constituem uma carga suplementar de culpabilização para os filhos durante toda a sua vida (devido a nunca conseguirem igualar a perfeição dos pais).

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Em resumo, os 4 pilares de uma educação para a paz são:

  1. Manifestar sempre Afeto / Amor pela criança
  2. Escutar Ativamente a criança
  3. Ser Firme (não rígido) no Estabelecimento de Limites
  4. Valorizar e Encorajar a criança, estimulando-a a alcançar a melhor versão de si mesma.


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Gostaria de pedir a todos que, para a próxima aula, trouxessem uma pergunta que desejassem ver tratada nas próximas semanas. Que esteja mais ou menos dentro do âmbito da Psicologia, de preferência. Uma pergunta que vos seja realmente importante e premente.

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Obrigado e uma ótima semana para tod@s!


sábado, 29 de abril de 2023

Castigos corporais: mitos e crenças (fim)

 


Vamos continuar com o que, sobre o castigo corporal, muita gente acredita:

9. O castigo corporal ensina uma criança a respeitar os outros. (ensina a ter medo, sim; a ter respeito, não)

10. O castigo corporal deve ser usado para disciplinar uma criança de cada vez que ela se comporta mal.

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Há mais algumas crenças que não foram seleccionadas por este estudo e que acrescentarei às anteriores:

11. Os pais têm o dever de correção e, se for preciso bater, bate-se. (os pais têm o dever de correção, mas não têm o direito de cometer o crime de bater)

12. Os castigos corporais são sempre dados por amor e para segurança da criança. (não é verdade: o que a investigação demonstra é que os castigos corporais são aplicados porque os pais perderam a paciência)

13. As crianças esquecem com facilidade e recuperam bem de tudo o que de mal lhes façamos. (não é verdade: nem esquecem com facilidade, nem recuperam bem do mal que lhes fazem - aliás, se isto fosse verdadeiro, então bater para quê, se elas esquecem com facilidade?)

14. Uma última crença consiste em as pessoas que batem acreditarem que, tendo-se tornado boas pessoas, isso aconteceu por causa dos castigos corporais que receberam na sua vida. Não é verdade. Elas tornaram-se boas pessoas apesar dos castigos corporais. Na verdade, elas conseguiram superar muito do mal que os castigos corporais lhes trouxeram. Ou seja, o mérito de se terem tornado boas pessoas é muito mais delas do que dos seus violentos educadores.

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A encerrar este tema dos castigos corporais, aqui ficam alguns alertas do Instituto de Apoio à Criança:




📞 LINHA SOS CRIANÇA - 116 111

Uma equipa técnica especializada nos problemas que afetam as crianças e os jovens está deste lado para ouvir, acompanhar, ajudar, proteger e informar! 💙

Outros contactos disponíveis:

WhatsApp – 966 065 750 / 966 065 767 / 913 069 404

Chat online - www.iacrianca.pt

Email – soscrianca@iacrianca.pt


Linha SOS Criança Desaparecida - 116 000.

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Para terminar este capítulo sobre o Estabelecimento de Limites e de como o fazer, lembro que só nos detivemos nos castigos corporais. Infelizmente, na nossa sociedade, as crianças são sujeitas ainda a muitos outros tipos de violência. Como, por exemplo, abuso sexual, abuso laboral, negligência e violência psicológica (da qual a violência verbal é apenas uma das suas várias componentes).

A luta para que as crianças sejam tratadas e educadas com a mesma justiça e a mesma humanidade que os adultos exigem para si mesmos ainda vai muito no princípio.

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Uma ótima semana e obrigado pela participação de tod@s!

sexta-feira, 21 de abril de 2023

Castigos corporais: mitos e crenças

 


Vamos fazer uma reflexão final sobre Castigos Corporais, no sentido de percebermos melhor as pessoas que os defendem e de sermos capazes de as convencer a mudar de opinião.

Sabemos que praticamente todos os adultos concordam publicamente com o respeito pelos Direitos da Criança. 

Mas, na prática, às ocultas de olhares estranhos, muitos adultos contradizem esse respeito com o seu comportamento violento em relação às crianças. Quantos serão?

Nos E.U.A.,

(…), an ongoing national survey from the University of Chicago reveals that support for the statement, “It is sometimes necessary to discipline a child with a good, hard spanking” was 83% in 1986, dropping to 72% in 1996 and 2006 and, most recently, remaining in the majority at 68% in 2016. (David Rettew, Parenting Made Complicated, Oxford University Press 2021, p.167/8)

Note-se que, quando as pessoas respondem a um inquérito, por vergonha, muita gente não diz o que pensa e muito menos o que faz, tal como nas sondagens que dão sempre menos intenções de voto aos políticos mais grosseiros e brutais.

No Brasil,

Dados da Sociedade Internacional de Prevenção ao Abuso e à Negligência na Infância (Sipani) de São Paulo revelam que, em média, 18 mil crianças são vítimas de violência doméstica por dia, no Brasil; e nos últimos meses de pandemia, esses números possivelmente aumentaram, porém não estão sendo contabilizados.

De acordo com o estudo "Será que uma palmada resolve", do Instituto de Apoio à Criança (IAC), realizado com base em inquéritos online a 1.943 pessoas voluntárias, 30% dos pais consideram aceitável usar castigos corporais em crianças, sobretudo quando desobedecem aos pais, são "malcriadas" ou não cumprem com as regras da família.

Ainda em Portugal, 5300 crianças e respetivos pais que participam no projeto Geração XXI - uma das maiores coortes de crianças da Europa - compõem a amostra deste estudo realizado pelo Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto. 75% dos menores com sete anos de idade reportaram ser vítimas de agressão psicológica e de castigo corporal com frequência e 10% revelaram maus-tratos físicos graves e muito graves.

Não há dúvida: em Portugal, os castigos corporais continuam a ser uma realidade! Apesar de serem puníveis por lei. Porém, a lei muitas vezes não é cumprida pelas pessoas, nem aplicada consistentemente pelos tribunais, como já vimos numa aula anterior. E pais, familiares e outros cuidadores continuam a bater.

Porque se continua a consentir o castigo corporal sobre as crianças?

(Note-se: consente-se apenas no seio da família, o que não se percebe – se pensam que bater é assim tão bom, porque não defendem, por exemplo, que os especialistas da educação e da psicologia também devem bater nelas?)

Para responder àquela pergunta, vamos usar o estudo aqui referido.

Primeiro, os investigadores consideram Castigo Corporal como uso da força física com a intenção de causar dor à criança, mas não lesões nem ferimentos, com o objetivo de corrigir ou controlar o comportamento da criança.

Assim, sobre o castigo corporal, muita gente acredita que:

  1. O castigo corporal usado para disciplinar uma criança é inofensivo.
  2. Usar do castigo corporal ocasionalmente para disciplinar uma criança não lhe causa danos.
  3. O uso do castigo corporal ensina responsabilidade à criança e ajuda a desenvolver o seu caráter.
  4. É irrealista pensar que os pais nunca devem usar o castigo corporal para disciplinar uma criança (não é, já que nos países onde existe há mais tempo legislação a proibir os castigos corporais são aqueles onde eles ocorrem menos frequentemente).
  5. O castigo corporal funciona melhor do que outros métodos de disciplina.
  6. O castigo corporal deve ser usado para disciplinar tanto meninos como meninas. 
  7. O castigo corporal é a única coisa que as crianças entendem.
  8. Sem o uso do castigo corporal para disciplinar as crianças, elas tornam-se mimadas e ficam sem regras.

Todas estas crenças são falsas, como foi demonstrado até à exaustão pela investigação científica. Em particular, a última (8) é tragicamente falsa!

Efetivamente, esta crença nasce de uma ligação de causa e consequência que, pura e simplesmente não existe. Dar mimo, isto é, amor em abundância, não tem nada a ver com ela ficar sem limites e regras. Aliás, um amor verdadeiro, que não seja apenas uma manifestação de um sentimentalismo barato, implica que se estabeleçam limites e regras ao que a criança pode fazer, a fim de garantir a sua segurança e o seu bem-estar, bem como os de todos os outros que convivam com ela.

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Ao longo da aula, foram referidas vários fatores que concorrem para haver pessoas que continuam a agredir com violência os seus filhos. Eis as contribuições dos presentes:

  • Maus tratos sofridos na infância
  • Cultura da época
  • Regiões com hábitos diferentes, em que algumas defendem mais os castigos corporais
  • Falta de informação e de conhecimento
  • Cansaço e outras pressões com origem no contexto onde as pessoas vivem o seu dia-a-dia (nomeadamente nos seus trabalhos)

Acrescentei ainda mais um fator relevante: o clima político e socioeconómico do país – onde há mais solidariedade social e menos violência do Estado, há menos agressões entre as pessoas em geral.

Note-se ainda que o ser humano é muito complexo e não encaixa em nenhuma teoria, pelo que aqui não se fala de causas, mas apenas de condições que facilitam o eclodir da violência. E que continuam a alimentar aquelas crenças.

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Continuaremos na próxima aula. Uma ótima semana para tod@s!


sexta-feira, 31 de março de 2023

A Ética nos castigos corporais


Na aula passada, vimos que, sob o ponto de vista ético, punir fisicamente uma criança é inaceitável porque reprovamos tal medida quando aplicada aos adultos.

Mas uma segunda razão é que são ilimitadas:

  • a dependência de uma criança pequena em relação aos pais, 
  • a sua confiança ingénua neles, 
  • a sua absoluta necessidade vital de amarem e de serem amadas,
  • a sua incapacidade física de se defenderem das agressões.

Assim, puni-la fisicamente não será aproveitar estas características infantis, de uma forma pelo menos um pouco brutal e abusadora? E, no fundo, segundo a ciência, resultando na quase inevitável desgraça presente e futura dessa criança e da sociedade, em geral.

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Em suma, porque batemos numa criança?

Porque o sistema de ameaça fica ativado e produz emoções negativas. O organismo percebe que o outro (criança) é mais fraco e opta pela “luta”. Porque, se percebesse que o outro era mais forte, engolia a zanga e fugia ou paralisava ou submetia-se (por isso, deixamos de bater no rapaz quando ele começa a ficar do nosso tamanho). Não é bonito. Nem ético.

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Além de tudo o mais, anotemos que, desde 2007, os castigos corporais são proibidos pela lei penal portuguesa!

O Código Penal Português [artigos 152º (Violência doméstica) e 152º-A (Maus tratos)] tipifica os maus tratos físicos ou psíquicos, incluindo castigos corporais de crianças pelos educadores, como crimes de violência doméstica e de maus tratos. O agente é punido com pena de prisão de um a cinco anos, se pena mais grave lhe não couber por força de outra disposição legal, podendo ainda o agente ser inibido do exercício do poder paternal.

A jurisprudência considera que a punição física de um filho constitui a prática de um crime de ofensa à integridade física. Mas continua, infelizmente, a discutir os limites entre o poder de correção dos pais e a ofensa à integridade física penalmente punida, e a aceitar que a intenção de educar pode excluir o dolo enquanto intenção de molestar fisicamente.

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Vejamos um exemplo para refletir (notícia do Público de 1-2-2023):

Tribunal da Relação absolve pai que esbofeteou o filho: “Foi um castigo leve e proporcional”

Acórdão assinado pelo juiz Carlos Coutinho diz que “punição foi legítima, porque o arguido é o pai do ofendido e agiu com a intenção de o corrigir”

O rapaz de 13 anos combinara apanhar o autocarro no final das aulas. O pai esperou, telefonou – uma, duas, três, quatro, “20 vezes”. Avisou a ex-mulher que ia alertar as autoridades. O rapaz deu sinal de vida. Estava a jogar futebol, num campo adjacente à escola. Tinha o telemóvel em silêncio. O pai precipitou-se para lá e, à frente dos colegas, deu-lhe uma bofetada.

Duas perguntas apenas:

  1. Corrigir o quê? O rapaz apercebeu-se da falha e tinha telefonado ao pai a descansá-lo.
  2. Não haveria outra maneira de levar o rapaz a não repetir esse comportamento? Claro que sim. Vários dos presentes contaram episódios a que assistiram de pais que assumiram atitudes completamente diferentes e até mais educativas.

Ou seja, do meu ponto de vista, teria de haver uma razão fortíssima (o que parece não se verificar aqui) para o juiz ir contra a lei e absolver o agressor. Assim, o que se pode concluir é que, infelizmente, existe um claro preconceito por parte do juiz contra o rapaz, que afetou gravemente a sua decisão.

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Na próxima semana, iremos continuar a refletir sobre este tema.

Até lá, uma ótima semana para tod@s!


domingo, 26 de março de 2023

Castigos corporais: satisfação das necessidades humanas e a ética

 


Saiu esta semana o Ranking da Felicidade baseado na média dos três anos, de 2020 a 2022, divulgado pelo World Happiness Report 2023:


Notemos como, dentre os 10 países mais felizes, 7 são as sociais-democracias do Norte da Europa (8, se contarmos com a Suíça que também tem uma baixa desigualdade de rendimentos).

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Numa aula mais atrás, falámos de como elogiar era algo de extremamente vantajoso para adultos e crianças. Por vezes, parece ser difícil encontrar o que elogiar. No entanto, lembremo-nos de que há no mundo muito mais coisas positivas do que negativas – só temos que desenvolver uma atitude descobridora dessas coisas positivas. Em particular, os aspetos e acontecimentos de vida positivos excedem os negativos; tal como acontece com as características e qualidades positivas das pessoas que excedem as negativas.

Tal como fazíamos com um exercício de que falámos no passado para a gratidão, contemos diariamente 3 coisas boas que as crianças fizeram. Depois, agradeçamo-las e celebremo-las:

  • Para ela se sentir recompensada e bem.
  • Para reforçarmos os comportamentos bons (e, assim, encorajarmo-las a repeti-los).
  • E para nós também nos sentirmos bem.

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Voltando à Pirâmide de Maslow:


Reparemos como, tanto para crianças como para adultos, satisfazer estas necessidades contribui para:

  • equilibrar os três sistemas de regulação de emoções;
  • promover a sua realização plena como ser humano feliz e útil para a sociedade.

Para as crianças, em especial, contribui também para ensiná-las como fazê-lo de forma saudável e autónoma, quando crescerem e se tornarem independentes.

Será preciso mais para as crianças? Na verdade, pouco mais, apenas faltaria satisfazer as que se referem a necessidades específicas de desenvolvimento (por exemplo, mover, interagir, educar, brincar, etc.). Porém, se se conseguisse garantir-lhes só isto, já seria muito bom!

Na verdade, podemos usar esta Pirâmide como um instrumento para nos colocarmos duas interrogações:

  1. Estamos a contribuir positivamente para que a criança esteja a ter as suas necessidades satisfeitas? Pelo menos, as quatro primeiras básicas? 
  2. Há alguma destas necessidades que seja adequadamente satisfeita com o uso de castigos corporais?

À primeira pergunta, a resposta dependerá do que cada um de nós estiver a conseguir fazer com as suas crianças.

A segunda pergunta é muito mais fácil de responder: NÂO, nenhuma daquelas necessidades é satisfeita com o recurso a castigos corporais. Logo, a conclusão necessária é que estes são usados para satisfazer as necessidades do adulto e só do adulto.

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Depois de analisada a questão do ponto de vista educacional, vamos agora considerá-la do ponto de vista ético.

Os fins justificarão os meios?

O argumento para um "sim" toma a seguinte forma:

Os meios são abomináveis ("sim, os castigos corporais são uma coisa horrível"), mas como o fim é louvável, esses meios ficam automaticamente justificados ("assim, a criança fica educada e os castigos corporais são bons e úteis").

É assim que se justificam as guerras.

Vejamos: Será que, sob o ponto de vista ÉTICO, punir fisicamente uma criança é defensável? Porquê?

Não. 

Primeiro que tudo, porque reprovamos tal medida quando aplicada aos adultos (apesar de eles até serem bem mais capazes de se defenderem do que as crianças), dado ser algo de ofensivo para a sua dignidade como pessoas.

Se isto não for claro, podemos perguntar-nos que razões podem haver para defender a punição física de:

  • um polícia ou um militar sobre um civil?
  • um patrão sobre um empregado?
  • um director da cadeia sobre um recluso?
  • um comandante sobre um soldado ou um marinheiro?
  • um marido sobre a sua mulher?
  • um professor sobre um aluno?
Na verdade, não existem razões nenhumas e, por isso, ninguém defende a punição física nestes casos. Então, porquê abrir exceção para a punição física infligida pelos pais sobre os seus filhos?

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Na próxima semana, iremos continuar a refletir sobre este tema.

Até lá, uma ótima semana para tod@s!


Resumo da aula de 22-10-2026

  Link para o vídeo: Aula de 22-10-2026