Saiu esta semana o Ranking da Felicidade baseado na média dos três anos, de 2020 a 2022, divulgado pelo World Happiness Report 2023:
Notemos como, dentre os 10 países mais felizes, 7 são as sociais-democracias do Norte da Europa (8, se contarmos com a Suíça que também tem uma baixa desigualdade de rendimentos).
Numa aula mais atrás, falámos de como elogiar era algo de extremamente vantajoso para adultos e crianças. Por vezes, parece ser difícil encontrar o que elogiar. No entanto, lembremo-nos de que há no mundo muito mais coisas positivas do que negativas – só temos que desenvolver uma atitude descobridora dessas coisas positivas. Em particular, os aspetos e acontecimentos de vida positivos excedem os negativos; tal como acontece com as características e qualidades positivas das pessoas que excedem as negativas.
Tal como fazíamos com um exercício de que falámos no passado para a gratidão, contemos diariamente 3 coisas boas que as crianças fizeram. Depois, agradeçamo-las e celebremo-las:
- Para ela se sentir recompensada e bem.
- Para reforçarmos os comportamentos bons (e, assim, encorajarmo-las a repeti-los).
- E para nós também nos sentirmos bem.
Voltando à Pirâmide de Maslow:
Reparemos como, tanto para crianças como para adultos, satisfazer estas necessidades contribui para:
- equilibrar os três sistemas de regulação de emoções;
- promover a sua realização plena como ser humano feliz e útil para a sociedade.
Para as crianças, em especial, contribui também para ensiná-las como fazê-lo de forma saudável e autónoma, quando crescerem e se tornarem independentes.
Na verdade, podemos usar esta Pirâmide como um instrumento para nos colocarmos duas interrogações:
- Estamos a contribuir positivamente para que a criança esteja a ter as suas necessidades satisfeitas? Pelo menos, as quatro primeiras básicas?
- Há alguma destas necessidades que seja adequadamente satisfeita com o uso de castigos corporais?
A segunda pergunta é muito mais fácil de responder: NÂO, nenhuma daquelas necessidades é satisfeita com o recurso a castigos corporais. Logo, a conclusão necessária é que estes são usados para satisfazer as necessidades do adulto e só do adulto.
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Depois de analisada a questão do ponto de vista educacional, vamos agora considerá-la do ponto de vista ético.
Os fins justificarão os meios?
O argumento para um "sim" toma a seguinte forma:
Os meios são abomináveis ("sim, os castigos corporais são uma coisa horrível"), mas como o fim é louvável, esses meios ficam automaticamente justificados ("assim, a criança fica educada e os castigos corporais são bons e úteis").
É assim que se justificam as guerras.
Não.
Primeiro que tudo, porque reprovamos tal medida quando aplicada aos adultos (apesar de eles até serem bem mais capazes de se defenderem do que as crianças), dado ser algo de ofensivo para a sua dignidade como pessoas.
Se isto não for claro, podemos perguntar-nos que razões podem haver para defender a punição física de:
- um polícia ou um militar sobre um civil?
- um patrão sobre um empregado?
- um director da cadeia sobre um recluso?
- um comandante sobre um soldado ou um marinheiro?
- um marido sobre a sua mulher?
- um professor sobre um aluno?
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Na próxima semana, iremos continuar a refletir sobre este tema.
Até lá, uma ótima semana para tod@s!



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