Na aula passada, vimos que, sob o ponto de vista ético, punir fisicamente uma criança é inaceitável porque reprovamos tal medida quando aplicada aos adultos.
Mas uma segunda razão é que são ilimitadas:
- a dependência de uma criança pequena em relação aos pais,
- a sua confiança ingénua neles,
- a sua absoluta necessidade vital de amarem e de serem amadas,
- a sua incapacidade física de se defenderem das agressões.
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Em suma, porque batemos numa criança?
Porque o sistema de ameaça fica ativado e produz emoções negativas. O organismo percebe que o outro (criança) é mais fraco e opta pela “luta”. Porque, se percebesse que o outro era mais forte, engolia a zanga e fugia ou paralisava ou submetia-se (por isso, deixamos de bater no rapaz quando ele começa a ficar do nosso tamanho). Não é bonito. Nem ético.
Além de tudo o mais, anotemos que, desde 2007, os castigos corporais são proibidos pela lei penal portuguesa!
O Código Penal Português [artigos 152º (Violência doméstica) e 152º-A (Maus tratos)] tipifica os maus tratos físicos ou psíquicos, incluindo castigos corporais de crianças pelos educadores, como crimes de violência doméstica e de maus tratos. O agente é punido com pena de prisão de um a cinco anos, se pena mais grave lhe não couber por força de outra disposição legal, podendo ainda o agente ser inibido do exercício do poder paternal.
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Vejamos um exemplo para refletir (notícia do Público de 1-2-2023):
Tribunal da Relação absolve pai que esbofeteou o filho: “Foi um castigo leve e proporcional”
Acórdão assinado pelo juiz Carlos Coutinho diz que “punição foi legítima, porque o arguido é o pai do ofendido e agiu com a intenção de o corrigir”
O rapaz de 13 anos combinara apanhar o autocarro no final das aulas. O pai esperou, telefonou – uma, duas, três, quatro, “20 vezes”. Avisou a ex-mulher que ia alertar as autoridades. O rapaz deu sinal de vida. Estava a jogar futebol, num campo adjacente à escola. Tinha o telemóvel em silêncio. O pai precipitou-se para lá e, à frente dos colegas, deu-lhe uma bofetada.
Duas perguntas apenas:
- Corrigir o quê? O rapaz apercebeu-se da falha e tinha telefonado ao pai a descansá-lo.
- Não haveria outra maneira de levar o rapaz a não repetir esse comportamento? Claro que sim. Vários dos presentes contaram episódios a que assistiram de pais que assumiram atitudes completamente diferentes e até mais educativas.
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Na próxima semana, iremos continuar a refletir sobre este tema.
Até lá, uma ótima semana para tod@s!

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