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quinta-feira, 2 de março de 2023

Panorama atual da infância no nosso país e alternativas aos maus-tratos na educação

 


Acabámos a aula passada referindo que devemos evitar sempre humilhar a criança. Não só porque é o que fazemos com os adultos, mas também porque a humilhação suscita na criança uma das mais destrutivas emoções negativas (juntamente com a raiva e com a inveja): a vergonha.

Recordo que estamos a tentar encontrar uma educação que não transforme crianças em adultos violentos. Por exemplo, que evite isto - Jornal de Notícias, 14.02.2022:

Em 2022, a PSP e a GNR receberam um total de 3530 queixas de violência no namoro, o que corresponde a uma média de cerca de dez situações reportadas por dia.”

Ou isto:

Ou ainda isto:


Há muitas causas para este panorama de crescente violência sobre as crianças, mas há uma que é ela própria uma violência sobre elas (Jornal de Notícias, 24.01.2023):

«Em Gaia existem 4492 crianças em situação de pobreza extrema, afirmou a ministra do Trabalho e da Segurança Social, Ana Mendes Godinho (...) sublinhando que a nível nacional o número ascende às "170 mil".» 

Saliento que não é pobreza simplesmente, é «pobreza extrema».

Porque é que isto acontece? Uma das razões está no fosso entre ricos e pobres que leva ao aparecimento de inúmeros problemas sociais e de saúde pública, tal como demonstrado no quadro a seguir (no qual Portugal ocupa um lugar triste, para dizer o mínimo):
E este quadro é baseado em dados recolhidos antes do crash de 2008/9, antes da Troika e antes da pandemia. A situação não terá melhorado desde então.

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Porque é que isto é uma violência sobre as crianças (para além da situação estar cada vez pior)?

Primeiro, pelo sofrimento que isto lhes causa. Segundo, porque a criança apresenta desvantagens imensas em relação ao adulto (que abusa delas muitas vezes):

  • A absoluta incapacidade de se defender fisicamente.
  • A impossibilidade de fugir.

Se não pode defender-se nem fugir, ninguém se atreve a responsabilizar ou a culpar as crianças por esta situação. Então a conclusão necessária é de que a culpa é totalmente dos adultos… Isto não nos cria uma obrigação para com todas as crianças?

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Recordemos que, muitas vezes, a última esperança de salvação destas crianças está: 

  • em vizinhos atentos e solidários (que podem telefonar para o número indicado no início);
  • na vigilância e na proteção das escolas; 
  • e nos serviços do Estado (comissões de proteção de crianças e jovens - CPCJ -, polícias e tribunais).

O que mais podemos fazer?

  • Sensibilizar familiares, amigos e conhecidos, transmitindo-lhes os conhecimentos aqui adquiridos. A fim de que mais pessoas possam atualizar a sua representação da criança, da sua vulnerabilidade e dos seus direitos.
  • Simultaneamente, não aprovar, nem aceitar, nem tolerar situações de violência física e psicológica contra as crianças.
  • Finalmente, apoiar as organizações que defendem e tentam proteger as crianças.

O que podemos ainda fazer no dia-a-dia, todos os dias?

Elogiar TODOS (CRIANÇAS E ADULTOS) o mais possível e sempre que possível,

  • Ao elogiar os adultos estamos a alimentar um espírito mais benévolo (a alimentar o “lobo bom”); 
  • Ao elogiar as crianças à frente dos adultos, estamos a fazer-lhes ver os lados bons das crianças;
  • Ao elogiar as crianças, estamos a fazê-las felizes e a reforçar os seus bons comportamentos (crianças felizes portam-se bem - podem fazer asneiras, como os adultos aliás, mas genericamente portam-se bem).

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Que propostas tem a ciência para educar as crianças sem precisarmos de recorrer a maus-tratos? 

  • Mostrar compreensão, apoiar, e encorajar atitudes e comportamentos positivos e construtivos (mas que estejam ao alcance da criança). Em suma, valorizar, elogiar e encorajar os comportamentos positivos.
  • Conversar com a criança para saber o que a está verdadeiramente a incomodar; depois, ajudá-la a resolver o problema e a ultrapassá-lo.
  • Ignorar comportamentos negativos insignificantes.
  • Quando se trate de comportamentos mais graves, usar time-outs (mas explicando o seu motivo e tornando-o uma medida adotada tanto pela criança como pelo adulto, a fim de não aparecer aos olhos da criança como um castigo arbitrário). 
  • Também nos casos graves, deverá haver consequências, de preferência combinadas e que incluam se possível a reparação do mal feito (porque há limites que é inaceitável ver ultrapassados).

Note-se como estes princípios também se podem aplicar com total propriedade aos nossos relacionamentos com os adultos.

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Obrigado pela participação de tod@s. Uma ótima semana, com saúde e alegria!


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