Acabámos a aula passada referindo que devemos evitar sempre humilhar a criança. Não só porque é o que fazemos com os adultos, mas também porque a humilhação suscita na criança uma das mais destrutivas emoções negativas (juntamente com a raiva e com a inveja): a vergonha.
Recordo que estamos a tentar encontrar uma educação que não transforme crianças em adultos violentos. Por exemplo, que evite isto - Jornal de Notícias, 14.02.2022:
“Em 2022, a PSP e a GNR receberam um total de 3530 queixas de violência no namoro, o que corresponde a uma média de cerca de dez situações reportadas por dia.”
Ou ainda isto:
Há muitas causas para este panorama de crescente violência sobre as crianças, mas há uma que é ela própria uma violência sobre elas (Jornal de Notícias, 24.01.2023):
«Em Gaia existem 4492 crianças em situação de pobreza extrema, afirmou a ministra do Trabalho e da Segurança Social, Ana Mendes Godinho (...) sublinhando que a nível nacional o número ascende às "170 mil".»
Saliento que não é pobreza simplesmente, é «pobreza extrema».
Primeiro, pelo sofrimento que isto lhes causa. Segundo, porque a criança apresenta desvantagens imensas em relação ao adulto (que abusa delas muitas vezes):
- A absoluta incapacidade de se defender fisicamente.
- A impossibilidade de fugir.
-
Recordemos que, muitas vezes, a última esperança de salvação destas crianças está:
- em vizinhos atentos e solidários (que podem telefonar para o número indicado no início);
- na vigilância e na proteção das escolas;
- e nos serviços do Estado (comissões de proteção de crianças e jovens - CPCJ -, polícias e tribunais).
- Sensibilizar familiares, amigos e conhecidos, transmitindo-lhes os conhecimentos aqui adquiridos. A fim de que mais pessoas possam atualizar a sua representação da criança, da sua vulnerabilidade e dos seus direitos.
- Simultaneamente, não aprovar, nem aceitar, nem tolerar situações de violência física e psicológica contra as crianças.
- Finalmente, apoiar as organizações que defendem e tentam proteger as crianças.
Elogiar TODOS (CRIANÇAS E ADULTOS) o mais possível e sempre que possível,
- Ao elogiar os adultos estamos a alimentar um espírito mais benévolo (a alimentar o “lobo bom”);
- Ao elogiar as crianças à frente dos adultos, estamos a fazer-lhes ver os lados bons das crianças;
- Ao elogiar as crianças, estamos a fazê-las felizes e a reforçar os seus bons comportamentos (crianças felizes portam-se bem - podem fazer asneiras, como os adultos aliás, mas genericamente portam-se bem).
Que propostas tem a ciência para educar as crianças sem precisarmos de recorrer a maus-tratos?
- Mostrar compreensão, apoiar, e encorajar atitudes e comportamentos positivos e construtivos (mas que estejam ao alcance da criança). Em suma, valorizar, elogiar e encorajar os comportamentos positivos.
- Conversar com a criança para saber o que a está verdadeiramente a incomodar; depois, ajudá-la a resolver o problema e a ultrapassá-lo.
- Ignorar comportamentos negativos insignificantes.
- Quando se trate de comportamentos mais graves, usar time-outs (mas explicando o seu motivo e tornando-o uma medida adotada tanto pela criança como pelo adulto, a fim de não aparecer aos olhos da criança como um castigo arbitrário).
- Também nos casos graves, deverá haver consequências, de preferência combinadas e que incluam se possível a reparação do mal feito (porque há limites que é inaceitável ver ultrapassados).
Obrigado pela participação de tod@s. Uma ótima semana, com saúde e alegria!




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