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sexta-feira, 27 de janeiro de 2023

Continuando com o que a ciência diz sobre os castigos corporais

 


Tínhamos visto que 3 em cada 4 crianças castigadas fisicamente para deixarem de fazer algo retomavam a atividade proibida nos 10 minutos seguintes ao castigo. Uma das razões para isso acontecer é que este tipo de castigos fomenta a Reatância Psicológica

Reflitamos também no provérbio português que nos avisa que “Não é com vinagre que se apanham moscas.” Se achamos que este ditado popular é verdadeiro, porque haveria de ser diferente com as crianças? Porque é que com as crianças o "vinagre" dos castigos corporais as atrairia para terem bons comportamentos?

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Promovem o afastamento emocional das crianças relativamente aos pais, 

  • de quem desconfiam, 
  • de quem sentem medo 
  • e contra quem sentem revolta (talvez para o resto da vida?).

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Silenciam e escondem problemas pelos quais a criança esteja a passar. 

Recordemos que um mau comportamento é um alerta importante para sinalizar um problema presente na vida da criança. Porquê? 

Porque um mau comportamento tem as suas raízes em emoções negativas. Estas surgem quando o sistema de regulação de emoções focado na ameaça, no perigo e na autoproteção é ativado. A sua ativação resulta de uma avaliação do organismo que conclui que há qualquer coisa que está mal e que precisa de ser mudada. 

Se não se enfrenta o problema de base, é pouco provável que ele desapareça. E a criança sente-se cada vez pior por isso, mas também porque as suas necessidades não foram objeto de consideração pelos adultos, agravado com o facto de ainda por cima estar a ser castigada.

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Instituem um comportamento regressivo de obediência comandado pelo medo, em vez de um comportamento moralmente autorregulado, orientado autonomamente por valores de solidariedade e de boa convivência.

Por outras palavras, a criança aprende a fazer o bem pelo medo das consequências de o não fazer. E apenas para evitar castigos, e não por ser a coisa correta para se fazer.

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Prejudicam realmente o desempenho cognitivo. Podendo, em muitos casos de maus tratos prolongados, chegar a bloquear definitivamente o seu desenvolvimento.

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Continuaremos, na próxima aula, a ver o que a ciência tem a dizer sobre os castigos corporais. 

Antes disso, uma nota final.

Alguns de nós (talvez a maioria) educámos os nossos filhos essencialmente de acordo com o que sabíamos e com o que os outros nos diziam na altura. Hoje em dia, sabemos coisas que não se sabiam então. E damos conta de que, na altura, cometemos alguns erros. E, possivelmente, sentimos remorsos por isso, o que é natural.

Não devemos olhar demasiado para o passado. Aceitemos esses remorsos porque são um bom sinal de que estamos vivos, humanos e que mudámos para melhor. Usemo-los agora como uma energia positiva para fazer coisas (qualquer coisa, por mais insignificante que seja, é boa) que contribuam para melhorar o mundo, e a vida das crianças em particular.

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Até à próxima aula e uma ótima semana para todos!


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