Saber como construir uma Civilização que promova a Felicidade de todos

sexta-feira, 20 de janeiro de 2023

Castigos corporais

 


Vamos focar a nossa atenção nos castigos corporais.

Uma nota prévia importante:

Alguns de nós (talvez a maioria) educámos os nossos filhos essencialmente de acordo com o que sabíamos e com o que os outros nos diziam na altura. Hoje em dia, sabemos coisas que não se sabiam então. E damos conta de que cometemos erros. E, possivelmente, sentimos remorsos por isso, o que é natural. 

Não devemos olhar demasiado para o passado. Aceitemos esses remorsos porque são um bom sinal de que estamos vivos e humanos. Usemo-los agora como uma energia positiva para fazer coisas (qualquer coisa, por mais insignificante que seja, é boa) que contribuam para melhorar o mundo, e a vida das crianças em particular.

-

Vamos começar com o que o Comité das Nações Unidas pelos Direitos da Criança, no seu Comentário Geral Nº 8 (2006), nos diz sobre os castigos corporais.

Ele define-os como "qualquer castigo no qual a força física é utilizada com a intenção  de causar algum grau de dor ou desconforto, mesmo que leve".

Exemplos mais comuns:

  • Bater nas crianças (estaladas, bofetadas, sovas) com a mão ou com algum objeto: chicote, vara, cinto, sapato, colher de pau ou semelhante.
  • Pontapear, sacudir ou empurrar as crianças, 
  • Arranhá-las, beliscá-las, ou mordê-las, 
  • Puxar os cabelos ou dar pancadas nas orelhas,
  • Obrigá-las a ficar em posições incómodas, 
  • Produzir-lhes escaldões ou queimaduras, 
  • Obrigá-las a ingerir alimentos ferver ou outros produtos (por exemplo, lavar as suas bocas com sabão ou obrigá-las a engolir alimentos picantes).

Em conclusão, na consideração do Comité:

O castigo corporal é sempre degradante.

Não esquecendo as formas não-físicas de castigos que também são cruéis e degradantes e, portanto, incompatíveis com a Convenção sobre os Direitos da Criança. Por exemplo, os castigos em que "a criança é menosprezada, humilhada, desacreditada, convertida em bode expiatório, ameaçada, assustada ou ridicularizada".

-

Há algo que é importante ressalvar aqui.

O ideal de adulto no qual desejamos que as nossas crianças se tornem é dos mais elevados. Mas nós não somos perfeitos, pelo que nem sempre conseguimos dar os melhores exemplos. O que fazer quando não procedermos de acordo com os nossos ideais?

Nessas situações, temos sempre uma forma de continuar pelo exemplo a educar bem. Se procedermos mal, podemos sempre pedir desculpa e explicar que errámos, que não conseguimos fazer melhor. Procurando fazer com que não repitamos o procedimento em causa. Assim, mostramos que continuamos a valorizar as melhores atitudes e os melhores comportamentos, mas sem hipocrisia.

-

Vamos agora ver o que a ciência concluiu sobre os castigos corporais.

Provocam danos físicos diretos (no cérebro em desenvolvimento, por exemplo) e indiretos (aumentando os níveis de cortisol no organismo, por exemplo).

Aumentam agressões entre crianças e de crianças para adultos, diminuindo a empatia e a compaixão pelos outros. Veja-se, nomeadamente, o exemplo de São Cassiano.

Causam vários problemas de Saúde Mental (ansiedade, depressão, obsessões, etc.).

São inúteis para motivar comportamentos bons e mais saudáveis, antes promovem mentir, copiar nos testes (procurando não ser apanhadas), faltar às aulas, desafiar, consumos, e suicídio.

Estimulam futuros comportamentos agressivos: de delinquência, de violência, de abuso de poder e de ausência de respeito, para com outros que sejam mais fracos.

Ensinam que causar dor e sofrimento a alguém se justifica quando uma pessoa se sente frustrada.

Só muito parcialmente são eficazes para acabar com alguns maus comportamentos. Em estudos feitos através de filmagens do que se passa nas famílias, em suas casas, observou-se que «Os efeitos do castigo corporal foram transitórios: em 10 minutos, a maioria das crianças (73%) havia retomado o mesmo comportamento pelo qual haviam sido punidas.»

-

Iremos continuar na próxima aula com o que a ciência nos diz sobre os castigos corporais.

Até lá, um muito obrigado pela excelente participação de todos e votos de uma ótima semana.


Sem comentários:

Enviar um comentário

Resumo da aula de 19-02-2026

  Link para o vídeo: Aula de 19-02-2026