Saber como construir uma Civilização que promova a Felicidade de todos

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2023

Elogios e Sorrisos

 

Terminámos a aula passada com a pergunta: "Por outro lado, o que nos custa elogiar?"

Sem dúvida que devemos elogiar o mais possível: tornamos os outros mais felizes e a sua felicidade vai beneficiar-nos também.

Mas às vezes estamos cansados – então, temos de nos treinar para descobrir belezas à nossa volta e, assim, o elogio se tornar em algo de sempre natural e fácil para nós. Comecemos já a pensar sobre isso.

Que coisas são belas, boas e interessantes para nós?

Houve muitas e variadas respostas: 

  • a natureza (nomeadamente árvores, flores e animais de estimação); 
  • as manifestações de amor (em sentido lato), de bondade e de humor (principalmente aquele que não é feito à custa das outras pessoas);
  • coisas bonitas de se ver (pinturas, natureza, roupas bonitas, etc.), ouvir (música, chilrear de passarinhos, etc.) ou cheirar (perfumes, flores, etc.);
  • sorrisos (com exceção dos maldosos e dos cínicos);
  • etc.

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Que recomendações existem para o treino de descoberta de belezas?

  • Cacemos a beleza como um fotógrafo da natureza ou como uma criança a procurar conchas numa praia. Deixemo-nos surpreender positivamente com o mundo e com as pessoas à nossa volta.
  • Descubramos o que há de belo, de bom, de interessante ou de simplesmente agradável em cada momento (usando os nossos 5 sentidos).
  • Quando encontrarmos beleza, reparemos nela, dêmo-nos um tempo para a sentir. E deixemo-nos preencher com essas sensações.

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Portanto, elogiemos sempre que possível. Mas por vezes é necessário fazer uma chamada de atenção à criança. Aí é muito importante o modo como ela lhe é transmitida. Devemos ter sempre presente no espírito a recomendação do Dr. Mel Levine:

Digo sempre às pessoas que desde o momento em que uma criança se levanta de manhã até ir dormir à noite, a missão central do dia é evitar a todo custo a humilhação.

Na verdade, esta é uma regra a ser seguida por toda a gente com toda a gente, sejam crianças, adultos ou idosos.

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Antes de terminar, é importante realçar que a aula foi abundantemente preenchida com elogios e sorrisos (além de muito riso) entre tod@s! Muito, muito obrigado!

Votos de uma ótima semana para tod@s, a espalhar elogios e sorrisos!


quinta-feira, 2 de fevereiro de 2023

A Ciência e os castigos corporais

 


Para além de problemas cognitivos, os castigos corporais provocam problemas emocionais, agravando os do presente, e expandindo-os no futuro: problemas de ansiedade, de depressão, de hostilidade, de instabilidade emocional e de desespero que levam algumas vezes ao suicídio ou às dependências de álcool ou drogas.

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Não ensinam as crianças a lidar com emoções difíceis, a não ser pela sua repressão. Que, se for levada ao extremo, acaba na anorexia, na automutilação ou mesmo no suicídio.

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Promovem baixos amor-próprio e autoestima.

Lembremo-nos de como nos sentimos humilhados sempre que fomos vítimas de violência física, tanto na infância como na idade adulta.

O amor-próprio existe quando reconhecemos que temos valor como seres humanos, independentemente do que fazemos ou do que conseguimos. A autoestima é o que pensamos e sentimos de nós próprios a partir das nossas realizações no mundo.

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Aumentam a probabilidade de, em idades posteriores, se aceitar ser vítima passiva de variados tipos de abusos físicos e psicológicos.

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Aumentam a probabilidade de, em adulto, reagir com violência com os seus próprios filhos, companheiro/a e pais.

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Levam a que a criança assim castigada adquira um sentido moral distorcido e antissocial. Pelo que trazem à criança dificuldades acrescidas de adaptação social na escola, no clube, no grupo de amigos, etc.

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Promovem nela uma maior propensão para acidentes, bem como para a adoção de hábitos prejudiciais, como fumar ou beber.

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Tudo o que aqui se registou de mau sobre os castigos corporais ainda se torna pior em crianças que, temperamentalmente, são mais ansiosas ou zangadiças, ou ambas.

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Mas a ciência há de ter descoberto alguns benefícios de se usarem os castigos corporais, ou não?

Não.

“Apenas um único estudo de 1981 com 24 crianças mostrou melhoria estatisticamente significativa, a curto prazo, na obediência, em comparação com estratégias alternativas - time-out e um grupo de controle” (isto é, não fazer nada). 

No entanto, este estudo, por melhor que tivesse sido realizado, apresenta muitas limitações.

Primeiro, porque analisa apenas 24 crianças. É pouco, muito pouco para se poderem fazer generalizações minimamente interessantes.

Segundo, só mostrou melhorias a curto prazo, o que vem confirmar estudos posteriores que referem a pouca eficácia dos castigos corporais a longo prazo.

Terceiro, só se debruçou sobre a obediência, o que me parece pobre como objetivo de uma educação de crianças. 

Quarto, só comparou com a técnica do time-out e com não fazer nada. Não se comparou, por exemplo,  com ouvir e conversar com a criança, algo que seria muito mais interessante de saber qual a diferença entre os dois métodos. 

Portanto, apesar de ser o único estudo em décadas que mostra alguma vantagem nos castigos corporais, acaba por confirmar a pobreza de resultados deste tipo de educação. 

Em suma, até ao momento, não existe nenhuma outra investigação que tenha descoberto que os castigos corporais trazem o que quer que seja de positivo.

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Qual a razão profunda para os castigos corporais terem tão maus efeitos na criança?

Sobreativam o Sistema Focado na Ameaça, no Perigo e na Autoproteção, sistema neuronal que tem como função procurar proteger a criança (e as pessoas em geral) da dor e das ameaças.

Este Sistema dá origem a respostas muito básicas, e inadequadas a maior parte das vezes. Já sabemos quais: luta, fuga, submissão, paralisação e dissociação. 

Ora, a criança, pelo seu tamanho e pela sua fragilidade face ao adulto, não tem as opções de lutar nem de fugir. Assim, só lhe resta a submissão, a paralisação e a dissociação. Se estas respostas se tornam num hábito pela prática continuada de castigos corporais, a aprendizagem que ela faz para a vida não é minimamente positiva (isto é, se não tivermos um ideal para ela de um futuro adulto robotizado e neurótico). Além de criar um stress continuado do organismo.

A ativação deste sistema pode bloquear a estimulação e o desenvolvimento dos outros sistemas – e o que não se usa, perde-se (“Use it or lose it”, como dizem os anglo-saxónicos). Por exemplo, no:

  • Sistema Focado na Busca de Recursos e de Incentivos – as crianças ficam apáticas, desinteressadas, “preguiçosas”, deprimidas, etc.
  • Sistema Focado na Tranquilização, na Ligação aos Outros e na Segurança Afetiva – as crianças ficam ansiosas, irritadiças, pouco sociáveis, pouco empáticas, sem consideração pelos outros (incluindo pela família).

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Felizmente, a ciência propõe alternativas aos castigos corporais que apresentam a vantagem adicional de estimularem estes dois últimos sistemas. Na verdade, os métodos educativos que estimulam estes sistemas constituem o cerne da chamada parentalidade positiva.

Mesmo quando se tratar de situações graves ou muito graves, devemos sempre procurar que as nossas ações estimulem o menos possível o sistema de ameaça da criança.

Recorde-se mais uma vez que qualquer tipo de comportamento crítico (por palavras ditas ou escritas, expressões não verbais ou ações) nos ativa a todos o sistema de ameaça. 

Por outro lado, o que nos custa elogiar?

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Obrigado a tod@s pela excelente participação! Uma ótima semana, com saúde e alegria!


Resumo da aula de 19-02-2026

  Link para o vídeo: Aula de 19-02-2026