Saber como construir uma Civilização que promova a Felicidade de todos

sábado, 27 de maio de 2023

Como lidar com a solidão - 2

 


Continuamos com os fatores pessoais que aumentam o risco da solidão.

Género feminino. Os cientistas pensam que pode haver várias razões para isto acontecer: uma maior expetativa de vida para as mulheres; ou “aparecem” mais nas investigações porque admitem mais facilmente a solidão; ou, em certos países, têm o hábito de frequentar menos os cafés.

Celibato (sem companheiro e sem filhos).

Casad@, mas não tem filhos. Ou os filhos passaram a pertencer a uma outra classe intelectual e social. Ou moram longe de onde a pessoa vive.

Divórcio, viuvez, e outras perdas de familiares e amigos, a que se pode acrescentar o viver sozinho. Há que procurar aumentar a sua rede social de suporte para compensar perdas.

Personalidade introvertida e tímida.

A sua rede social é pequena e com poucas interações.

Baixa autoestima.

Por causa do declínio do seu estado físico e mental, sentimentos de vergonha, ou de fragilidade e de desamparo.

Suspeições e desconfianças sobre o que as pessoas podem querer de si, receando ser vítima de aproveitamento ou de abuso.

Instabilidade emocional ou má saúde mental:

  • depressão, 
  • ansiedade (Winnicott: “a ansiedade mais antiga é aquela relativa a ser segurado de um modo inseguro”), 
  • vergonha 
  • e outras emoções negativas persistentes, (todas elas podem ser aliviadas com meditação e respiração tranquilizantes; ou recorrendo a um psicólogo).

-

Voltaremos ainda a este tema.

Uma ótima semana para tod@s!


sexta-feira, 19 de maio de 2023

Como lidar com a solidão - 1

 


Para responder a estas perguntas, vamos recorrer a 3 estudos:

Luhmann, M., Buecker, S. & Rüsberg, M. Loneliness across time and space. Nat Rev Psychol 2, 9–23 (2023). https://doi.org/10.1038/s44159-022-00124-1

Masi, C. M., Chen, H. Y., Hawkley, L. C., & Cacioppo, J. T. (2011). A meta-analysis of interventions to reduce loneliness. Personality and social psychology review : an official journal of the Society for Personality and Social Psychology, Inc, 15(3), 219–266. https://doi.org/10.1177/1088868310377394

Cohen-Mansfield, J., Hazan, H., Lerman, Y., & Shalom, V. (2016). Correlates and predictors of loneliness in older-adults: a review of quantitative results informed by qualitative insights. International psychogeriatrics, 28(4), 557–576. https://doi.org/10.1017/S1041610215001532

-

As pessoas que experienciam solidão sentem de forma dolorosa que os seus relacionamentos sociais carecem da quantidade (por exemplo, número de pessoas e/ou número de encontros) e da qualidade (por exemplo, no que se refere à intimidade, confiança, valorização, cooperação, etc.) que elas desejariam ter.

Como todas as emoções negativas, a solidão constitui um sinal desagradável e aversivo – muito parecido com fome, sede ou dor física, até na duração – a fim de provocar a mudança de um comportamento sentido pelo organismo como prejudicial, com o objetivo de lhe evitar danos (sobrevivência) e de promover a transmissão dos seus genes (acasalar, reproduzir e cuidar de filhos dependentes).

-

Existem quatro tipos de solidão:

  1. estar só (sensação subjetiva de falta de companhia);
  2. estar sozinho (um estado momentâneo de ausência objetiva das outras pessoas);
  3. solitude (quando estar sozinho é percebido como algo de agradável e que é procurado intencionalmente);
  4. isolamento social (uma ausência objetiva de relacionamentos sociais e de contacto social).

-

A solidão apresenta vários efeitos adversos:

Sono de má qualidade

  • Imunidade enfraquecida
  • Risco crescente de doenças cardiovasculares e de declínio cognitivo
  • Menos comportamentos saudáveis
  • Menos longevidade
  • Menos bem-estar
  • Pior saúde mental
  • Elevados custos para a sociedade, o que implica até ser um caso de saúde pública no Reino Unido, Alemanha, Japão e União Europeia.

-

Vamos agora ver que fatores fazem aumentar o risco da solidão. E o que podemos fazer para amenizar ou eliminar cada um deles, partilhando as estratégias que usamos e que têm resultado connosco. Mas tendo em atenção que as causas da solidão são complexas e idiossincráticas, pelo que aquilo que é solução para uns pode não o ser para outros!

Começamos com os fatores pessoais que aumentam o risco da solidão.

A solidão tem a sua origem aproximadamente 50% da hereditariedade e 50% do meio ambiente. Se tivermos cuidado com as circunstâncias da nossa vida, o fator hereditariedade não pesa tanto, pois evitamos desse modo ativar os genes que podem conduzir-nos à solidão.

A idade é outro fator. Na população em geral, a associação é fraca. Mas já é robusta no grupo dos mais idosos e está a crescer entre os mais novos.

Quanto a estes, segundo o Jornal de Notícias de 19-05-2023,

Sendo que quando questionados se a "criança divertia-se com os amigos", a percentagem de pais que respondeu "muito frequentemente" caiu para 24%, face aos 51,2% antes da covid nos trocar as voltas.

-

Continuaremos na próxima aula. Uma ótima semana para tod@s!


sexta-feira, 5 de maio de 2023

4. Valorizar e estimular progressos na criança

 

(Foto tirada de Guiainfantil.com)


Vamos agora para o quarto pilar de uma educação para a paz. Vamos falar de valorizar e estimular progressos nas atitudes e no comportamento verbal e não verbal da criança.

Falo de "progressos" e não de resultados porque estes nem sempre são os que esperaríamos, nem muitas vezes são imediatos. Os progressos, sim, esses vão-se desenvolvendo ao longo do tempo e, portanto, dão muito mais oportunidades de elogiar a criança e de a encorajar no caminho certo.

Como podemos fazer isto?

  • Primeiro, termos em atenção que há muito mais coisas positivas do que negativas para valorizar na criança (aliás, em todos nós). Por isso, não procuremos o pormenor irrelevante para humilhar; procuremos antes o que é verdadeiramente importante para elogiar.
  • Proporcionemos experiências de sucesso de diferentes tipos, com desafios adaptados à idade da criança (veja-se foto acima).
  • Mostremos compreensão e tolerância com as suas falhas (pois todos as temos, não são só as crianças; e também não gostamos que as utilizem para nos humilhar).
  • Celebremos as vitórias da criança com alegria e orgulho. Às vezes podemos até fazê-lo com uma recompensa extra (não tem de ser material, pode ser concedendo um privilégio).
  • Elogiemos principalmente os esforços que desenvolveu, embora também possamos fazê-lo com os resultados que obteve (o problema com estes é que dependem de outras coisas que a criança não controla, enquanto os esforços estão mais sob o seu controlo pessoal). 
  • Reconheçamos e apreciemos todas as melhorias que observarmos na criança.
  • Valorizemos e encorajemos a persistência que ela revela para alcançar os seus objetivos e para ultrapassar as dificuldades que encontra.

-

A ausência de elogios tem várias consequências pouco positivas.

  • Receber um elogio da parte daqueles cuja aprovação mais se deseja (é o caso da criança em relação a nós), é o melhor sinal que ela pode receber de que o que fez foi bem sucedido (mesmo que não haja resultados visíveis).
  • Quando não reagimos ao que a criança faz de bem, ela sente que foi mal sucedida ou que não devia ter feito o que fez.
  • Assim, ela não o repete.
  • Se não o repete, não o aprende.
  • Se o insucesso se repete, ela aprende o insucesso (ela aprende o que se repete - seja qual a forma que ele tome, desde a violência até ao azedume e à distração).

-

Tenhamos em atenção que um comportamento menos bom ou de resistência relacionado com o desempenho escolar por parte da criança pode sinalizar 

  • problemas relacionais na escola;
  • dificuldades de atenção ou de aprendizagem;
  • ou, às vezes, simplesmente um problema de audição ou de visão, por exemplo. 

É preciso despistar estas possibilidades, antes de pensarmos em criticá-la e condená-la (e muito menos de castigá-la!).

-

Antes de terminar o tema de como educar para a paz, gostaria de esclarecer que, evidentemente, a disciplina sem violência poderá ser imperfeita (há poucas coisas perfeitas no nosso mundo) – só que também é verdade que, com violência, é pior.

Com as crianças, hoje em dia,  temos de escolher ou fazer coisas possivelmente ineficazes, ou fazer coisas decididamente criminosas. Bater numa criança é legalmente um crime, mas há outras coisas que, embora não haja lei que as proíba, são também crimes. Devemos evitar fazê-las. Falámos delas ao longo destes meses, mas, genericamente, podemos incluir tudo o que lhe cause um sofrimento físico ou mental que está na nossa mão impedir, sem que daí advenha um prejuízo para ela.

-

Mas têm os Educadores e os Cuidadores de ser perfeitos? Não. Nem o devem ser.

Por exemplo, os pais não devem responder sem falhar a todas as necessidades da criança, senão ela também não cresce (não aprende a lidar com dificuldades, a ultrapassá-las, etc.). A única necessidade cuja satisfação não deve ser nunca negada é a do AMOR.

Por isso, uma mãe ou um pai só precisam de ser suficientemente bons. A imperfeição é humana. As crianças preferem-na.

Até porque pais perfeitos constituem uma carga suplementar de culpabilização para os filhos durante toda a sua vida (devido a nunca conseguirem igualar a perfeição dos pais).

-

Em resumo, os 4 pilares de uma educação para a paz são:

  1. Manifestar sempre Afeto / Amor pela criança
  2. Escutar Ativamente a criança
  3. Ser Firme (não rígido) no Estabelecimento de Limites
  4. Valorizar e Encorajar a criança, estimulando-a a alcançar a melhor versão de si mesma.


-

Gostaria de pedir a todos que, para a próxima aula, trouxessem uma pergunta que desejassem ver tratada nas próximas semanas. Que esteja mais ou menos dentro do âmbito da Psicologia, de preferência. Uma pergunta que vos seja realmente importante e premente.

-

Obrigado e uma ótima semana para tod@s!


Resumo da aula de 19-02-2026

  Link para o vídeo: Aula de 19-02-2026