Para responder a estas perguntas, vamos recorrer a 3 estudos:
Luhmann, M., Buecker, S. & Rüsberg, M. Loneliness across time and space. Nat Rev Psychol 2, 9–23 (2023). https://doi.org/10.1038/s44159-022-00124-1
Masi, C. M., Chen, H. Y., Hawkley, L. C., & Cacioppo, J. T. (2011). A meta-analysis of interventions to reduce loneliness. Personality and social psychology review : an official journal of the Society for Personality and Social Psychology, Inc, 15(3), 219–266. https://doi.org/10.1177/1088868310377394
Cohen-Mansfield, J., Hazan, H., Lerman, Y., & Shalom, V. (2016). Correlates and predictors of loneliness in older-adults: a review of quantitative results informed by qualitative insights. International psychogeriatrics, 28(4), 557–576. https://doi.org/10.1017/S1041610215001532
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As pessoas que experienciam solidão sentem de forma dolorosa que os seus relacionamentos sociais carecem da quantidade (por exemplo, número de pessoas e/ou número de encontros) e da qualidade (por exemplo, no que se refere à intimidade, confiança, valorização, cooperação, etc.) que elas desejariam ter.
Como todas as emoções negativas, a solidão constitui um sinal desagradável e aversivo – muito parecido com fome, sede ou dor física, até na duração – a fim de provocar a mudança de um comportamento sentido pelo organismo como prejudicial, com o objetivo de lhe evitar danos (sobrevivência) e de promover a transmissão dos seus genes (acasalar, reproduzir e cuidar de filhos dependentes).
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Existem quatro tipos de solidão:
- estar só (sensação subjetiva de falta de companhia);
- estar sozinho (um estado momentâneo de ausência objetiva das outras pessoas);
- solitude (quando estar sozinho é percebido como algo de agradável e que é procurado intencionalmente);
- isolamento social (uma ausência objetiva de relacionamentos sociais e de contacto social).
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A solidão apresenta vários efeitos adversos:
Sono de má qualidade
- Imunidade enfraquecida
- Risco crescente de doenças cardiovasculares e de declínio cognitivo
- Menos comportamentos saudáveis
- Menos longevidade
- Menos bem-estar
- Pior saúde mental
- Elevados custos para a sociedade, o que implica até ser um caso de saúde pública no Reino Unido, Alemanha, Japão e União Europeia.
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Vamos agora ver que fatores fazem aumentar o risco da solidão. E o que podemos fazer para amenizar ou eliminar cada um deles, partilhando as estratégias que usamos e que têm resultado connosco. Mas tendo em atenção que as causas da solidão são complexas e idiossincráticas, pelo que aquilo que é solução para uns pode não o ser para outros!
Começamos com os fatores pessoais que aumentam o risco da solidão.
A solidão tem a sua origem aproximadamente 50% da hereditariedade e 50% do meio ambiente. Se tivermos cuidado com as circunstâncias da nossa vida, o fator hereditariedade não pesa tanto, pois evitamos desse modo ativar os genes que podem conduzir-nos à solidão.
A idade é outro fator. Na população em geral, a associação é fraca. Mas já é robusta no grupo dos mais idosos e está a crescer entre os mais novos.
Quanto a estes, segundo o Jornal de Notícias de 19-05-2023,
Sendo que quando questionados se a "criança divertia-se com os amigos", a percentagem de pais que respondeu "muito frequentemente" caiu para 24%, face aos 51,2% antes da covid nos trocar as voltas.
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Continuaremos na próxima aula. Uma ótima semana para tod@s!